Campanha pela redução do tráfego aéreo e por uma mobilidade justa e ecológica

ATERRA

#SavePeopleNotPlanes: Linhas Vermelhas para os Resgates à Aviação!

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Em plena crise da Covid-19, enquanto o mundo lida com o vírus e inúmeras trabalhadoras e trabalhadores perdem os seus rendimentos, a indústria da aviação está a exigir resgates enormes e incondicionais suportados pelos contribuintes. Os apoios não podem permitir que o setor da aviação volte ao que era depois de superarmos a Covid-19: qualquer dinheiro público tem de garantir que os trabalhadores e o clima são colocados em primeiro lugar. 

Exigimos:

  1. As pessoas primeiro
  2. Uma transição justa: rumo a uma mobilidade respeitadora do ambiente
  3. Não há impostos? Não há resgates!

Para alcançar estes objetivos, vamos trabalhar em conjunto nas próximas semanas no sentido de consciencializar as pessoas e fazer pressão política. Estas exigências, apoiadas por 250 organizações de todo o mundo, são o início de uma viagem – mantém-te informado/a e ativo/a!

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 Texto completo:

Em plena crise da Covid-19, enquanto o mundo lida com o vírus e inúmeras trabalhadoras e trabalhadores perdem os seus rendimentos, a indústria da aviação está a exigir resgates enormes e incondicionais suportados pelos contribuintes. No entanto, nos últimos anos, a indústria opôs-se fortemente a qualquer tentativa de acabar com as suas injustas isenções fiscais e recusou-se contribuir de forma significativa para as metas globais de redução de emissões – o que exigiria medidas para reduzir substancialmente a aviação. 

Não só a aviação é já responsável por 5-8% do impacto climático global, causado principalmente por uma minoria rica de passageiros frequentes, como o setor assume que pode continuar a crescer. Nas últimas décadas, foram obtidos enormes lucros, à custa de trabalhadores mal remunerados e em detrimento do clima.

As trabalhadoras e trabalhadores afetados pela crise atual precisam de apoio, mas não devemos deixar a indústria da aviação escapar com a privatização do lucro, enquanto o público paga pelas suas perdas. Sem enfrentar os problemas estruturais que deixaram as nossas sociedades e economias tão vulneráveis a crises como esta, estaremos ainda mais vulneráveis às próximas, uma vez que as desigualdades entre e dentro dos países continuam a crescer e as emergências ecológicas e climáticas se agravam. 

Os apoios não podem permitir que o setor da aviação volte ao que era depois de superarmos a Covid-19: qualquer dinheiro público tem de garantir que os trabalhadores e o clima são colocados em primeiro lugar. 

Exigimos:

  1. As pessoas primeiro
    Em vez de socorrer executivos e acionistas, qualquer assistência financeira deve garantir que as trabalhadoras e os trabalhadores sejam apoiados com fortes proteções laborais e de saúde, e que um rendimento básico real seja fornecido durante a crise a comissários de bordo, pilotos, pessoal de terra, pessoal de catering e outros trabalhadores afetados.
  2. Uma transição justa: rumo a uma mobilidade respeitadora do ambiente
    Uma condição para o apoio público deve ser que a indústria da aviação se alinhe com uma trajetória de 1,5 °C de aumento máximo da temperatura global. As reduções de emissões devem ser absolutas e não empregar mecanismos de contabilidade duvidosos, como compensações, nem depender de biocombustíveis que prejudiquem o meio ambiente, a segurança alimentar e o direito à terra. Dado que “voar verde” é uma ilusão, as viagens aéreas têm de ser reduzidas. Para uma recuperação justa, a tomada de decisões de forma democrática e a propriedade pública são decisivas. Os governos devem apoiar uma transição justa: mudanças sistémicas nas redes de transporte, garantindo o acesso a alternativas a preço acessível (como o transporte ferroviário) e permitindo que as trabalhadoras e os trabalhadores se libertem dos empregos dependentes de combustíveis fósseis, para empregos dignos para o clima e a sociedade.  
  3. Não há impostos? Não há resgates!
    Não é justo salvar a indústria da aviação com o dinheiro das e dos contribuintes, se esta não paga praticamente quaisquer impostos, o que lhe dá uma vantagem injusta sobre os meios de transporte com menores emissões. As isenções fiscais têm portanto de acabar: as companhias aéreas devem ser obrigadas a pagar um imposto sobre o querosene e, em vez dos programas de milhas aéreas que incentivam as viagens de avião, devem ser instituídas taxas justas e progressivas sobre os voos frequentes.

É importante utilizar a atual pausa involuntária na aviação para construir um setor de transportes seguro para o clima e criar resiliência para futuras crises.

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