Uma Transição Rápida e Justa na Aviação: Mudança para uma mobilidade climaticamente justa

A Stay Grounded, rede internacional pela redução da aviação, lança hoje o documento de discussão Uma Transição Rápida e Justa na Aviação: Mudança para uma mobilidade climaticamente justa”, publicado em conjunto com o sindicato britânico PCS, e traduzido para português pela campanha ATERRA.

A pandemia de Covid-19 paralisou o tráfego aéreo quase por completo. A própria indústria da aviação prevê que estará a trabalhar abaixo da sua capacidade durante os próximos anos. Adicionalmente, o setor do turismo a nível mundial enfrenta uma crise prolongada. Perante o colapso climático iminente, a automação, a digitalização, e o elevado risco de futuras pandemias, temos de ser realistas: a aviação e o turismo vão mudar – e vão fazê-lo, seja através de um plano deliberado ou na sequência de um colapso desastroso. E esta transição irá avançar tomando em consideração os interesses dos trabalhadores ou não. O documento de discussão sobre Transição Justa aborda a questão de como podemos garantir a segurança a longo-prazo para os trabalhadores e as comunidades afetadas, sem voltarmos ao business as usual pré-Covid-19.

Fruto de um processo coletivo de escrita, feito por pessoas ativas no movimento pela justiça climática, trabalhadores do setor da aviação, sindicalistas, comunidades indígenas e académicos de várias partes do mundo, este documento propõe uma visão, caminhos e critérios para uma Transição Justa na indústria da aviação e setores relacionados. Este enquadramento tem como objetivo proteger os trabalhadores e as comunidades dependentes da indústria fóssil, mas engloba também um processo mais amplo com vista a proteger o futuro dos trabalhadores, das comunidades e do planeta. Não é um argumento para atrasar as mudanças necessárias, mas sim para geri-las de forma eficaz, justa e democrática.

Num momento em que se têm desenrolado as negociações sobre um plano de reestruturação da TAP que atropela de todas as formas possíveis os direitos dos trabalhadores e que fecha os olhos às metas climáticas, esperamos que este documento possa incentivar e alimentar o debate, iluminando o caminho para uma Transição Justa do setor. Uma transição que priorize a segurança e os direitos dos trabalhadores, ao mesmo tempo que avance com as medidas urgentemente necessárias para travar o caos climático.

O documento de discussão está disponível aqui, em português, inglês e alemão. Será ainda discutido em profundidade numa sessão organizada pela campanha ATERRA no 6º Encontro Nacional pela Justiça Climática que irá acontecer em Março.

 

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